Teste de um Positivo Celeron D 315

Resumo::

Obtive acesso a um "Positivo Celeron D 315" da vizinhança e consegui realizar alguns testes nele.

Utilizei nessa primeira vez os seguintes programas:
Super Pi 1.5XS
HD Tach 3.0.1.0
CPU Stability Test 5.0 by Jouni Vuorio
CineBench 9.5

Monitorei com:
Rightmark
CoreCell
• Gerenciador de tarefas do XP
CPUz 1.37

A Temperatura no dia era alta, entre 20~30°C, o que sabidamente não ajuda muito um Prescott a ter grande desempenho.

Configuração::

CPU: Intel Celeron D 315 (2.26GHz – Rev G1 – 256KB L2 – 533MHz BUS – Prescott)

MoBo: MSI MS-7095 (chipset VIA – rev 00 – BIOS Phoenix Tech vrs 6.0)

RAM: 128MB DDR 266MHz (2-3-3-6)

VGA: OnBoard S3 Savage Pro DDR (8MB compartilhado)

HD: Maxtor DiamondMax Plus 8 (6K040L0 NAR61HA0 – 40GB – IDE – ATA133 – 7200RPM)

Fonte: genérica do gabinete positivo (não informado)

Sistema Operacional: MS Windows XP Professional

Som e demais itens: integrados

Teste no Super Pi 1M da Xtreme Systems ::

Sei que o Super Pi é um programa ‘sintético’ que mede a velocidade hipotéticamente de um computador, mas foi realmente interessante ver como o desempenho de uma configuração é influenciada pelo conjunto do computador em si, ao usar um programa como este.

Daqui já deu pra confirmar o que vinha acreditando desde o momento do boot da máquina, falta memória RAM no Celeron da Positivo para acelerar os processos. Mesmo para um ambiente entry-level, de característica ‘barateira’, ter um módulo de 512MB seria uma excelente proposta para aliviar o sistema de uma lentidão terrível.

pi_celerond

Super Pi 1M do Celeron D 315 O tempo de 1m45.156s foi ruim, mas nem tanto por culpa do Celeron D; a DDR desse PC era lenta – 266MHz, apesar do timing regular – e ter apenas 116MB para rodar o XP com video onboard mata o desempenho de uma máquina, mesmo que fosse qualquer outro modelo da Intel ou da AMD.

Pra situar, um Intel Pentium 4 Northwood de 1.7GHz que usa o mesmo soquete e velocidade de BUS, montado sobre uma ASUS, também rodando o XP, em um teste que fiz, obteve um tempo até um pouco melhor tendo apenas 256MB de RAM. O dobro de RAM e uma VGA 64MB/64bits fizeram o núcleo anterior ao Prescott da Intel render os 566MHz de diferença entre eles, sendo que aquele modelo de Pentium hoje custa menos que este Celeron D.

Teste do HD do Positivo com HD Tach::

O HD usado, confesso, me surpreendeu com o resultado. Diante da aparente viseira em criar uma máquina barata e eficaz na escolha de praticamente todos os seus itens, a Positivo acertou com esse Maxtor DiamondMax Plus 8 de 40GB.

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Executamos o LONG BENCH, a fim de testar sem pudores o Positivo Celeron D.

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De começo, o teste parecia que correria rapidamente, mas ao chegar na Sequential Read Test, senti uma freiada violenta na barra de progresso, o culpado não seria nem o próprio HD em si, mas a swap.

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Olhando os dados obtidos, o tempo de acesso randômico foi consideravelmente alto, o uso do CPU foi realmente alto, mas ele obteve uma média de 52,3 MB/s, com burst próximo ao imaginado. Isso, dado o conjunto, é realmente um bom resultado. O HD é rápido e em muitas vezes, quando o sistema recorre a swap (praticamente o tempo todo), é ele segura bem as pontas.

Teste de estabilidade com CPU Stability Test 5.0 ::

Serei direto e sincero, foi decepcionante tentar rodar o teste de estabilidade no Positivo Celeron D, já que estava a fim de cravar o limite da máquina e mal deu pra começar, tendo de me contentar a um uso ‘normal’, reforçando que esse não é um computador para quem quer exigir da máquina e, menos ainda, a quem adquiriu um destes e pretendia jogar intensamente como insinua os vendedores das lojas.

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Primeira ScreenShot, sistema em condições ‘normais’ de operação, reparem que devido aos testes anteriores a temperatura já começa alta, denunciando que a ventilação do gabinete é ineficiente ao permitir que o CPU fan atinja 3590RPM e, ainda assim, deixando o CPU a 54°C com o ar de dentro do gabinete a 49°C. Ainda assim, o Celeron D não estava recuando no clock como conferi com o RightMark.

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O clock errado, não significa que ele tenha realmente atingido 5.76GHz. Reparei que quando o thermal trotting começa a segurar o clock para esfriar o CPU, as MoBos da MSI sozinhas tendem a acelerar o FSB para subir o clock, que começa a ser exibido errado e, em caso da MoBo em questão não possuir um PCI­lock para evitar que tudo se desregule, as chances de travar o sistema é quase certa.

Logo em seguida capturei a segunda SS acima, quando me foi exibida a mensagem de erro do programa. 44 segundos de teste e uma decepção de não suportar nem os 5 minutos de OverHeat em HardCore.

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Recomecei o teste em modo normal, como a primeira SS acima demonstra. O sistema se tornou instável logo que reiniciei o teste em modo normal, me forçando a dar um novo Boot.

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Após o ReBoot (imagem ilustrativa com mais dados do modelo) e reinicio do teste, o heatUP já jogou o Positivo Celeron D de 55°C para 60°C quase instantâneamente.

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Alguns segundos, menos de 1 minuto do começo do teste, a reação do sistema, acelerando o fan a 3590RPM. Na imagem a direita logo acima, com o gerenciador de tarefas aberto e após 3 minutos de HeatUP, a consciência de que com swap bem ativa (144MB em uso de 116MB de RAM), com apenas 23 processos e 100% contínuo de uso começa realmente estressar o Positivo Celeron D, mesmo com o cooler a 3668RPM, a temperatura sobe a 61°C.

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Entra em 1 minuto de teste de Whetstone, sobe 5MB na paginação e se mantém inalterado, mesmo com a entrada de 3 minutos de teste de MMX. Até aqui, aparentemente BEM, salvo pelo detalhe de que os interrupts estavam seriamente afetados e, não só para pular pra janela do paint, mas mover o mouse estava se tornando uma tarefa difícil. Ele quicava pela tela desordenadamente.

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Quando pensei que havia chegado ao limite do Positivo Celeron D, vejo que ele pode subir um pouco mais, 50°C dentro do gabinete segundo o sensor e, pela minha sensação, o calor era INTENSO mesmo.

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Dois minutos mais, novo WhetStone e a temperatura se mantém, com ele a 100% contínuo. Comum novo WhetStone em seguida, o cooler baixa a 3590RPM durante a pequena folga entre um e outro teste que manchou a taxa de 100% de uso contínuo do núcleo Prescott.

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Nos encaminhando ao final do teste, sem que o Positivo Celeron D tivesse dado sinais de que estaria dando erros, apesar da lentidão geral, dei por encerrado o teste após mais de 10 minutos de carga intensa.

gerenciador

Note os gráficos com os programas abertos, mas sem estar com testes em andamento, fica visível o exato momento que o teste foi encerrado. Reparem que o Celeron D chega sem nenhuma tarefa especial em andamento a atingir 20% de carga apenas para executar o sistema operacional.

Pude concluir com este teste que o Positivo Celeron D, embora não tenha sido 100% estável e apresente algumas falhas críticas, como calor excessivo no seu funcionamento e pouca memória RAM disponível, pode suprir a necessidade de um usuário doméstico iniciante ou que não vê em seu computador um centro de entretenimento.

Teste de conjunto com CineBench 9.5::

Este bench, pelos resultados anteriores, seria naturalmente o mais difícil do Positivo Celeron D se sair bem. Logo, o fiz pensando em determinar o quão ruim ele se sairia, visto que não é uma máquina apropriada a renderização 3D.

Para efeitos de comparação, pra englobar o que significa esses resultados, irei comparar com o meu próprio PC – Pentium 4 520 (2.8GHz), 1GB de RAM e VGA OFF PCI-E – , que é a imagem com cabeçalho azul, mas sem prévias de preparação para o teste, deixei uma quantia considerável de programas abertos, eu estava escutando música, conversando no msn, testando estes arquivos enquanto editava no DreamWeaver . Ambas as imagens foram capturadas após os testes, repare que o P4 520 é um processador com HT, recurso não disponível no Celeron D, então irei desconsiderar os testes multi-core.

cinebench

Esse Celeron D da positivo, está para o meu 520 como o meu 520 está para um QX6700 com 4GB de RAM, salvo por um detalhe, o preço. O preço do 520 hoje, em relação ao Celeron D novo é baixo, situação bem diferente do 520 pro QX6700. O que enfraquece ainda mais a intenção de compra de qualquer pessoa nesse tipo de computador.

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Comparando os dados, fica ainda mais visível o quanto o Positivo Celeron D é lento no seu manuseio. Novamente, a RAM foi o algoz do Celeron da Positivo. E isso reflete em qualquer aplicativo que você for usar em simultâneo (multi-task).

No CPU BenchMark, enquanto meu 520 fez 233 CB-CPU, o Positivo Celeron D fez apenas 69 CB-CPU. Isso seria a capacidade de processamento de vetores do CPU, o que significa que o P4 em questão seria 3,5x mais ágil, considerando que o clock do meu modelo é maior e é soquete LGA775, eu poderia deduzir que o Pentium é pelo menos 2x mais potente que o seu similar Celeron D de mesmo clock e soquete.

No Graphics BenchMark, que mede o desempenho da VGA, a S3 onboard do Positivo Celeron D é eficaz na texturização (179 CB-GFX), ainda assim, a RX600 do P4 520 seria quase 60% mais eficiente, de qualquer modo isso pode ser visto como "não ter problemas se quiser rodar abandonware ou aplicativos em geral", e isso sem degradar mais a performance do sistema.

O problema do video onboard fica no momento de renderizar os objetos 3D, diferentemente do que os vendedores dizem sobre a possibilidade de rodar jogos novos intensamente no ‘novo computador’, o desempenho foi decepcionante, tendo outras VGAs com video onboard que tem mais desempenho 3D. A RX600 não é uma placa que foi comprada com o intuito de servir a um gamer, mas atende bem as necessidades de um jogador casual como eu. Levando isso em conta, se vê o quão mal a S3 se saiu.

O uso do OpenGL por software deu um rendimento maior que por hardware, o que significa que a chance de rodar um jogo 3D fica mais viável por emulação RGB que por aceleração de hardware, isso em resoluções grandes (acima de 640×480) fará que seu jogo fique insuportávelmente lento. A pontuação do Positivo Celeron D foi de 284 CB-GFX em nível de software, degradando a 214 CB-GFX em nível de hardware, uma queda de performance de 25%. com uma aceleração 3D baixa (1,6x).

No teste para renderizar uma imagem 3D de 620×620 pixels, com 8 bits de cor, o Celeron levou incríveis 5m20s. Com apenas 1 núcleo, o P4 520 levou 1m36s na mesma imagem. Reforçando a tése de que o Celeron está pro 520 como este está pro QX6700, o quad-core levou 13,7s para renderizar essa imagem com quatro núcleos (P4 520 com HT levou 1m25s no teste sem preparação).

Considerações Finais::

Considerei-o bom para tarefas realmente simples, mas pondero que computadores mais antigos se sairiam tão bem quanto ou melhores, com consumo de energia e preço menores, permitindo uma configuração melhor, desviabilizando a intenção de compra do modelo testado. Julguei-o CARO pelo que oferece.

rightmark

Tela do rightmark Não poupei a máquina nos testes, mesmo tendo uma prévia noção de que seus recursos eram bem limitados, ainda assim, tentei ir ao limite dela. Isso não foi realizado com intuito de ser uma propaganda negativa a Positivo computadores, mas sim um incentivo ao aprimoramento dos usuários. Com estes informados, dou fé que empresas que montam esses micros de marca tenderão a colocar suas configurações em patamares melhores que os atuais.

Acredito que tivesse se saído melhor se tivesse mais memória RAM, especialmente se fosse 512MB e DDR 333MHz.

Publicado no Projeto OnBoard em 26 de Novembro de 2006