Tá chegando a política, direito obrigatório de votar lá vamos nós!

Estamos em 2010, acabou a copa do mundo e no calendário sobrou eleições e Natal. Estamos a menos de 2 meses das eleições e está começando a aquecer a falação tradicional do “sou diferente” ou do “tenho moral”. Os eleitores, ainda fatigados com a obrigatoriedade do direito ao voto, não evoluiram tanto quanto os políticos. O povão está ligado não mais apenas em rádio e tv, mas em Internet. E é na rede que está o maior front deste ano (e daqui pra frente).

A evolução dos políticos e seus marketeiros (alguns até importados) não se resume mais em criar um blog, um site, fazer santinho e posar sorrindo como amigo do desconhecido – afinal, até o momento, nenhum político me chamou pelo nome, como meus AMIGOS fazem. Essa evolução agora incluiu, graças ao estilo Luliano, uma segmentação de massa… o site Desabafo Brasil (PT), por um exemplo, demonstra com grande clareza o “país unido” com candidatos que segmentam massas da população na vã esperança de obter blocos de eleitores para si.

E, esse tipo de segmentação, embora seja prática, populista e muito funcional (inegável), não representa necessariamente a opinião do todo. Aliás, mal representa a opinião do próprio bloco, já que tornam política como algo ligado ao emocional pessoal, vestindo camisa de partido como quem veste a camiseta do time de futebol sem nem saber de nada além do nome do artilheiro e do técnico.

No site que citei, petista não ao acaso (muito embora eu não seja nem membro de qualquer partido e não vi grandes coisas na concorrência da Dilma também), fala que “…Serra representa o RETROCESSO, representa as ELITES contra o povo nordestino e contra a pobreza…”, como se o bolsa família fosse uma solução perfeita e definitiva ao invés de ser um remendo social. Não é um remendo? Se cortar a bolsa, esse povo todo que recebe o auxílio volta pra mesma situação que estava antes de ser criado o remendo. É como colocar um band-aid num corte profundo e acreditar que o corte secará e fechará por causa disso.

eleicoesNão entendo como o povo nordestino pode ser usado dessa forma, como se não tivesse dignidade, inteligência e fosse totalmente desprovido de recursos a ponto de depender desesperadamente de recursos do governo federal para sobreviver, sendo que a ELITE os massacraria se não fosse o protecionismo govrenamental. Acho uma tremenda graça ver gente de outros estados, como São Paulo ou mesmo aqui do Rio Grande do Sul alegar que toda essa política mudou a vida de milhares de famílias lá no nordeste sem nunca ter pisado com os pés por lá. Acho tão válido quanto alegar que o Papa acorda todos os dias as 4 e meia da manhã e faz orações até as 11 horas, em jejum, porque o Bispo assim o disse, sendo que nem o fiel e nem o Bispo conhecem pessoalmente o Papa. Ou como alegar que um piloto de F1 não come carne porque altera seus reflexos na pista.

O pior dessas segmentações está nas polêmicas que geram e que não são, obviamente, atrativas a quem recebe os auxílios. Numa era consumista, em que ter é melhor do que viver, quem tem menos vê com ótimos olhos a possiblidade de ter um pouco a mais vindo sem esforço, apenas pela sua condição.

E assim, vamos deixando de viver. Com confete suprindo o lugar do necessário. Outro dia fui com minha esposa no posto de saúde, por sorte (e antecipação) conseguimos uma das 14 fichas disponíveis para atendimento no bairro São Roque, chegamos um pouco antes do horário “padrão” (todas as fichas tem o mesmo horário de “atendimento”), às 17h30m, dali, pela ordem de chegada, fazem um “recadastramento” das pessoas para definir a ordem que o médico atenderá. Nessa brincadeira ficamos até as 20 horas, quando perguntamos para uma enfermeira se a médica que faria o atendimento havia recebido a ficha, pois uma pessoa que chegou depois foi atendida antes… 40 minutos depois, enfim, obtivemos o atendimento. Isso por um problema de amídalas. Se fosse algo grave temo que o resultado não seria parecido com o que tivemos, da sensação de fome e cansaço de ficar horas sentado esperando. O ridículo do atendimento é tamanho, que em vez de agilizar o atendimento das pessoas, os locais agora tem televisão para entreter quem está na espera com dor… pena que não tinha nenhum café ou comida. Caso não exclusivo, este ano ainda quando a Fernanda torceu um pé e fomos ao PS 24hs, as 7 da manhã, ela com dor foi colocada numa cadeira de rodas e ficou sentada no corredor enquanto o médico que concluia o turno dava uma visível encebada para passar a paciente ao próximo… o atendimento veio 50 minutos depois, com raio-x e, duas horas depois saiamos de lá com uma faixa e um raio-x que dizia que não tinha quebrado nenhum osso. E, indiferentemente de partidos, ouvir piadas das enfermeiras como “tava pulando a cerca?” não foi em nada engraçado. O raio-x, por sinal, melhorou muito, verdade, no passado minha mãe fez um do pé e recebeu o resultado de um do torax… pelo menos agora melhorou isso.

Bento Gonçalves, vi essa outro dia ainda, no jornal, vinha com o “animador” caso de mais de um assalto/invasão por dia. Todos os dias tem algum roubo em Bento. Animador para as empresas de segurança privada, claro. Já viu a quantidade de empresas de segurança que existem??? Qualquer um abre, parece.

E nas escolas?! Como marido de professora, sei de casos grosseiros de inclusão que simplesmente largam uma criança portadora de necessidades especiais em meio a turma e acreditam que o professor pode dar conta dessa criança e mais 20, sozinho. E da minha profe, que teve de fazer o exame de sangue 2x sem que nenhum médico que consultamos (incluindo o terceiro, do laudo clínico) tenha achado nada de errado e o estado sempre retorna a papelada, prorrogando o pagamento do salário sem dizer exatamente qual o problema. Eficiente? Digno? Valorizante? Duvido muito… mas se perguntar a governadora, certamente vai dizer que no governo dela nunca a educação foi tão importante e valorizada. Minha dúvida é: Será que depois de 4~6 MESES sem receber, gastando pra trabalhar (alguém tem que pagar o transporte diário, os exames), será que depois da espera o governo vai nos pagar com CORREÇÃO?! Ou vai girar o dinheiro em aplicações, faturar, e depois devolver tal qual era num embrulho de foda-se?!

E que dizer do salário, possante salário… nunca mais vi moedas de 1 centavo… aliás, tá começando a ficar seleto também os produtos do mercado, todos na faixa de 3 reais. Digo 3 reais por que tá tudo custando 2 e alguma coisa, se tu levar apenas 2 pilas não compra lá muita coisa (na realidade, dependendo, não compra nenhum produto)… dos meus vícios fúteis, a Pepsi de 3,3L tá sempre rondando entre R$ 3,29 e R$ 4,50… tão logo, iremos cortar uma casa monetária como era na época do cruzado/cruzeiro, pois não existe mais nada que custe 5 centavos… bom, talvez UMA balinha. Me lembro de nem tanto tempo atrás da briga que era com caixas de mercado que entregavam balas como troco de um centavo. A prática sumiu quando o mercado começou a ter prejuízo com as balas…

E então, temos eleições… uma eleição cinza, de candidatos quase clonados na carcaça, todos na poeira da Dilma justamente porque querem imitar o Lula e, imitação por imitação, é lógico que o povão segue o do mesmo partido… Marina em uma entrevista falando que iria ampliar o Bolsa Família, gente, é quase o mesmo que ela dizer que é do PTV (Partido dos Trabalhadores VERDES)… e o Serra, pah, sem base, repetindo apelos da candidatura passada, não tem como ir longe, no sério… candidato de oposição a candidata petista que vier a falar de pontos fortes de coisas populares que o governo do PT fez, tá ampliando o horário eleitoral do seu concorrente. Saudade sinto do “meu nome é Enéas”, que aparecia com míseros segundos na tv e fazia um estrago nas propagandas cinematográficas dos partidos que se aliavam para formar um bloco. Agora, além das tomadas de cinema, o PhotoShop tá comendo solto também. Especialmente em candidatos menores que se usam layers de sorridentes Lulas, Dilmas, Serras e afins como meio de se auto-intitular “cúpula”, como sendo importante… eu até pensei em fazer um “santinho” meu, de brincadeira, com todos os candidatos e uma frase clássica “nesse todos eles confiam”, mas deixei de lado e fui ver um filme que eu ganhava mais.

O discurso político, por sinal, é algo que precisa de uma atualização… o clássico (e batido) “trabalho, saúde, educação e segurança” já tá repassado de velho… trabalhar, por sinal, independerá de quem vencer, quem quer sobreviver vai ter que trabalhar… a menos que, por sua condição, seja auxiliado por algum recurso federal, se auto-condenando a ficar estagnado para não perder o benefício. Soa esquisito, mas é verdade… se uma pessoa recebesse auxílio e mudasse de vida, se tornasse bem sucedido e isso fosse uma “via de regra” do programa, certamente teríamos toneladas de propaganda em cima disso. Existe propaganda? Não, então não tem gente em quantidade saindo de onde está com o recurso que lhe é dado. Da saúde? Melhor ir na igreja antes, orar, pedir proteção, porque se não for “ELITE” (igual político, viu, que NUNCA nem viu uma ficha do SUS na vida) e desembolsar, vai ter que ter paciência e paracetamol (o “remédio” número UM de postinho). Educação? Depende de muita coisa… se você tem grana, se prepara e faz numa federal… se não tem grana, por mais bizarro que seja, faça numa particular da vida um cursinho. Pobre é que paga universidade. Nem vou falar de segurança, acredito que a quantidade de placas de “segurança 24hs” fala por si só. Acredito que o mercado de blindagem de carros só não é mais promissor devido ao alto custo e no impacto que a conta do posto de combusível teria.

Meu desabafo político é só este neste ano… não irei minar meus espaços com propaganda eleitoral, já fiz e não deu em nada, daqui 2, 4, 6… anos, você relê isso e me manda um email dizendo se eu estava errado. Minha história até aqui só me ensinou uma coisa… quem quer fazer, faz, quem não quer, arruma desculpa… e se for ver no hall de promessas de políticos, eles sempre tem uma desculpa pronta para cada “fracasso” seu, emendando sempre que no mandato seguinte a continuidade de seu trabalho vai fazer diferença. A reforma tributária foi assim no governo Lula e seus 7 anos e pedrada… mas continuamos pagando mais de 50% de imposto pra qualquer coisa. Os jogos pagam ainda mais que isso, depois culpam o consumidor que recai na pirataria.

E a minha única tristeza é saber que, já que eu não sou “ELITE” (muito embora também não seja tão pobre assim), não sou negro (mas tenho sangue de índio nas veias), e não sou nordestino, certamente o governo petista (e os demais na mesma panela) não liga a mínima pra mim e aos que estão na mesma situação que eu, lutando para sobreviver e vencer contra todas as adversidades. A época é de quem tem mais dinheiro (partidos políticos e seus membros de cúpula, sempre podres de ricos) convencer quem tá em maior número (povão segmentado em um bloco, que não vai tão adiante assim) de que votar em si é a solução, mesmo que pra isso o governo faça o que muito antigamente era uma prática vigente… a compra de voto. Agora, graças a evolução dos políticos, feita 100% com o dinheiro público de vez e usada como ferramenta popular para continuísmos. Exagero? Talvez, mas deixo absolutamente claro que nunca ganhei nada do governo, de partido algum, então, sinceramente, quero mais é que se exploda… e se for pensar a frio isso, o século XXI só mudou de nome as coisas, o que antes era compra, agora é bolsa, o que era promessa, agora é compromisso, o que era caráter, agora é marketing pessoal… no fundo, continua a mesma coisa pré-histórica de sempre. Bom voto!