Onde a Sony se deu mal com a pirataria

O PlayStation 3 está na caça as bruxas dos piratas tem anos. Desde seu lançamento em 2006 que o console foi, claro, alvo de tentativas sobre tentativas de desbloqueio. Bobagem dizer que os pirateiros profissionais, que quebram, duplicam e roubam software (jogos) tenham poupado a Sony por 5 anos por amor a marca ou por desinteresse comercial. Balela dizer que o campo hacker não o quis porque a Sony tinha o OtherOS e que, no ato de remoção do recurso, gerou a ira de pessoas com mentes privilegiadas dentro do ramo computacional, os motivando a quebrar a segurança do PS3. Ele era na verdade o Santo Graal dos hackers/crackers, um título a ser conquistado. De que outro modo um cara que nem joga videogame teria interesse em desvendar as chaves de segurança do console?! Até pelo fato dos originais, o console desponta na última posição desta geração, muito distante dos seus dois antecessores que estiveram no topo de suas respectivas gerações, mesmo com BluRay, rede gratuita e um crescente mercado cinza de usados, o fato é que o console é bem caro e a maioria simplesmente quer os melhores jogos, se possível, de graça. Ninguém quer pagar por nada que não seja tátil hoje. E eu sei BEM disso, porque lido com arte gráfica, e no momento de comercializar as pessoas se importam mais com o papel onde terão a mídia impressa que na arte que será criada para ser colocada em cima disso!

Nesse universo, desta geração de jogos online, o melhor ponto de vista é o de um cara com um monitor de computador como TV, rodando jogos baixados, na rede gratuita da Sony, com o sinal wireless da banda larga do vizinho… para um pirata, esse seria o cenário ideal. Aprendi muito com a dureza de ter de comprar meus jogos para o terceiro console da Sony. E, apesar da dificuldade, já não é quantidade que me fará ser feliz, afinal disponho de menos tempo para jogar. Fui atrás de espiar o Custom FirmWare (CFW) nos fóruns, mais por descrença que por interesse, tanto que nem fui atrás de fontes para download, mas é provável que torrents e arquivos em servidores de armazenamento online devem estar com pencas disso a disposição.

Não estou aqui para julgar quem usa pirata, até mesmo porque meu PS1 e PS2 estão recheados de jogos assim, sem que eu tenha qualquer orgulho do fato.

ps3_pirateadoMas a grande sacada, o “boom” do PS3, está na diferença de postura da Sony sobre a Microsoft e Nintendo. Enquanto o mercado do Wii e X360 está devastado pela pirataria, a Sony tenta segurar a areia da segurança de seu console com toda força que tem nas mãos, caçando quem antes caçou seu console. Você vê a MicroSoft caçando piratas? A Nintendo processando quem lança algum homebrew para Wii? Muito provavelmente não… e é essa diferença que faz da Sony o algoz, a vilã. Afinal, a Sony é uma empresa, e a sua posição se resume a defender seu interesse financeiro. Quando mexeram no sistema de segurança do PS3, mexeram na galinha de ovos de ouro da Sony, onde de cada 10 jogos vendidos, 10 eram originais.

Nesse aspecto, a Microsoft é mais experiente, ela sabe onde bater, onde dói mais. Enquanto a Sony tenta ganhar uma batalha perdida, de evitar o que já se disseminou, a Microsoft foi direto ao ponto. O x360 acabou com a pirataria? De forma alguma! Alguém com x360 desbloqueado joga online? RÁ! E o medo?! A Sony tenta penalizar quem ensinou o caminho, de modo que trocentos outros grupos de crackers agora sabem como criar e modificar sua própria CFW, já não importa mais a cabeça de quem fez primeiro, pra esse resta apenas o título disso, prova essa é que das variantes mais “populares” desse “boom” do desbloqueio, nenhuma é a do criador do meio de desbloquear. Batalha perdida Sony. A MicroSoft, porém, como disse, demonstra sua experiência ao bater onde dói de verdade, não batendo em quem fez, mas em quem decidir fazer. O usuário final. Sem choro. Você, com um x360, quer jogar pirata, siga firme; mas diga adeus ao principal apelo dessa geração, o jogo online no console da Microsoft. E nem adianta pensar em pagar a Live e reclamar de “eu paguei a Live, a Microsoft me penaliza mesmo pagando”, porque se existe uma empresa com PODER em contratos é a empresa do tio Bill.

Deu choradeira quando a empresa fez seus famosos BanWaves, travando consoles, expulsando quem tinha seu console “modificado”? Muita! Importou de fato? Nada… afinal, a Microsoft não foi lá incomodar quem jogava no seu console, ela apenas se certificou de que a escolha foi tão infeliz que você jogará sozinho, isolado do mundo, sem atualizações… “só” isso. E, para as empresas do ramo, ela mostrou como ser líder e, ao mesmo tempo, calar a boca dos usuários que não seguem suas regras. Mais que isso, ela expôs a ferida dos jogadores, que colocam nomes inocentes e bonitos em lugar de termos diretos e feios. Cada vez mais teremos termos como que otimizam a imagem do ato, como “modificado” e termos como CUSTOM (vide “CFW”) em substituição a “alternativo”, “genérico” que hoje soam como pirata… os nomes são muitos, que tentam transparecer o fato de que o bagulho é mesmo pirata e mexido para rodar jogos falsificados, frios, clandestinos.

A Live paga e livre de quem roda piratas é, muito provavelmente o caminho futuro da Sony com a PSN. Temos a PSN Plus! Questão de tempo para a Sony se usar da rede para banir usuários e fritar consoles “modificados”. Aliás, corre na Internet o fato de que o console com CFW se for atualizado devolta para o original, lasca tudo, dá perda dele. Pularei o fato de que a cada atualização de firmware do console, quem roda pirata terá de correr atrás de uma atualização (e isso por si já não libera acesso a PSN até atualizar). E, com excessão de grandes centros, quem for arriscar baixar o jogo, terá de ter um caro acesso à Internet.

No nosso caso, no Brasil, temos a “justificativa” do preço elevado… temos impostos grosseiros! Mas será mesmo que isso é justificativa? E se todos nós começássemos a mandar email para aqueles que nós elegemos, aquele senador e deputado, pedindo pelo JOGO JUSTO. A boa e velha pressão popular é muito eficiente! E um jogo de PS3 pirata, por mais barato que seja, vai custar pelo menos 30 reais, enquanto que ótimos jogos usados batem a casa dos 50 reais. É uma diferença tão grande de valor? Muita gente certamente ficará feliz em poder ter, enfim, seu PS3 livre do fardo do BluRay original, tão logo o disco se populariza e haverá camelôs vendendo “callófidoti”, “gódifiór”… a velha prostituição de títulos, que mesmo amados por jogadores, jogados até a exaustão, não retribuem a quem teve esmero de criar o ambiente, e que depois reclamam que os jogos estão perdendo criatividade, que títulos bons tem continuações canceladas, que empresas do ramo se restringem a meia dúzia… Mas afinal, quantos jogos piratas mesmo foram FEITOS por quem cria o desbloqueio de um console mesmo?!