Jogos de Hoje

Resumo::

Muitos já perceberam a enrascada que estamos em se tratando de jogos, outros dizem que é blasfemia achar que é absurdo as configurações MÍNIMAS de hoje. Então, vamos ponderar as mudanças e o quanto isso significa para a sua diversão (e, em especial, o quanto você PAGA por isso).

Será que vale mesmo a pena toda essa onda persistente de High-Definition?! Como estava conversando com um amigo pelo msn sobre a previsão de expansão do sinal de HDTV pelo país, quem pagaria para ver e ouvir um pastor em alta resolução numa tela Wide Screen?! Quanto custa e se vale a pena jogar um jogo numa floresta contra aliens (assunto batidíssimo, por sinal), mas com mega-efeitos de deixar o Spielberg e George Lucas de cabelo em pé em meio as cenas de ação e que nem os urros do Jurassic Park ou as lutas com sabres de luz de Guerra nas Estrelas poderiam permitir nos cinemas bem na sua sala?! Vale MESMO pagar por isso?! Quanta potência seu equipamento todo precisa ter para isso, vale o investimento?!

Num passado remoto, criatividade se sobrepõe a potência ::

Quer exemplos que estamos em uma era de futilidade visual nos jogos?!

Em 10 de Dezembro de 1993, a Id Soft lançava o DOOM, que rodava no DOS e foi o maior sucesso. Você poderia rodar ele no seu super Pentium ou magnífico 486 do momento. Em 1995, com o Windows 95, ele rodava no máximo. FPS 3D bem antes de se pensar em VGAs ultra-high-end de 500w.

Isso, ainda, por que felizmente eles tinham BOM SENSO (na maioria), em deixar mais a jogabilidade que a qualidade visual. Ou seja, não sacrificaram o jogador em prol de aliens mais desenhados, mas sim deram força as respostas rápidas dos comandos em uma máquina com CPU de 120MHz. 120MHz?! Sim, e isso é um convite a horas de desafios!

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Olhe a qualidade dos Alphas do projeto, de 1992, clicando aqui. Estes abaixo sequer foram lançados!

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Mais adiante, em 30 de dezembro de 1996, outro jogo interessante é lançado e reconhecido, sem precisar de uma máquina monstruosa. Estou falando de um jogo da Blizzard North, chamado DIABLO.

Oras, Diablo é uma lenda dos jogos, e eu tenho uma cópia deste fabuloso jogo em sua versão final, então, que me diz do teste de configuração abaixo, quando executado no Windows XP no meu P4 520?!

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Sim, o básico para rodar DIABLO é um Pentium de 60MHz com 8MB de RAM e Windows 95 ou NT4.0 a partir de uma unidade de CD de 2x… sendo que o core do XP é o do NT, por cima, mas mais evoluído, rodei sem problemas o jogo e sem patch nem nada, que tal a compatibilidade?!

Mais que isso, um recurso comum da época que as softwarehouses perderam e que acabou por ajuda a impulsionar a famosa PIRATARIA a opção que dava a possibilidade de, a partir de UM disco do jogo, fazer várias instalações limitadas para jogar em rede com os amigos, na época, Diablo então era um multi-player muito atraente numa época que gravadores de CD eram equipamento de uso profissional e a Internet ia tão devagar que a pouco estava chegando no Brasil.

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E pense BEM, em 1997 que é quando o jogo desembarcou de vez já tinhamos CPUs de pelo menos 166MHz na praça abastecidos por 16MB de RAM, bem acima do mínimo.

Segundo o distortionwave.com, criando um PC acima da configuração mínima do jogo:
• Intel Pentium 2 350MHz (20w) + 20w da MoBo
• 32MB de RAM (2,3w)
• Placa de vídeo com suporte 3D de pelo menos 16MB (30w)
• HD IDE 5400RPM (25w)
• um drive de CD e um drive de disquete (30w)
• Modem 56K PCI e uma placa de som (12w)

Agora, olhe que beleza, TUDO isso está MUITO acima da configuração mínima, todo OffBoard, com suporte a 3D aperfeiçoado à época, além do máximo e tudo e estando em condições de rodar o Diablo, Doom ou qualquer outro jogo até o ano 2000, consumiria 114w @ 70% de todo o conjunto ligado.

Insatisfeito com a possante máquina, um modelo mais próximo da configuração mínima consumiria pouco mais de 106w, diferença pequena (cerca de 8w). O extra é que no caso de Diablo, possuindo DirectDraw 2.0 era questionável a necessidade de 3D. Grave os 114w do poderoso P2 para comparar a frente.

Overheated, Overclocked e abaixo do máximo?! ::

Onde há fumaça, há um PC super overclockado tentando rodar um jogo TOP… A onda Crysis está se expandido bem rápido pelas softwarehouses, que se tornaram parceiras de primeira linha para as fabricantes de peças de computador. O Bizarro é tamanho, que jogos "desse porte" não terão versões para consoles por que os mesmos são "fracos demais", bem diferente do DOOM (SNES) e DIABLO (PST) em uma época que os consoles não era tão absurdamente poderosos quanto um X360 ou PS3!

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Olhemos as configurações do Crysis, o símbolo dessa nova era:

MÍNIMO::
CPU: Athlon 64 3000+/Intel 2.8GHz;
VGA: NVIDIA 6600/X800GTO (SM 2.0);
RAM: 768MB/1GB;
HDD: 6GB livre;
Internet: 256k+;
Optical Drive: DVD;
Software: DX9.0c with Windows XP.

RECOMENDADO::
CPU: Dual-core CPU (Athlon X2/Pentium D);
VGA: Nvidia 7800GTX/ATI X1800XT (SM 3.0) ou DX10 equivalente;
RAM: 1.5GB;
HDD: 6GB livre;
Internet: 512k+ (128k+ upstream);
Optical Drive: DVD;
Software: DX10 with Windows Vista.

Oras, talvez esse PC mínimo possa ser datado como REGULAR desde 2005, coerente com o aviso da Crytek de que os usuários devem fazer upgrades a cada 2 anos pelo menos (e faça $$$).

Mas o fato é que o Crysis não irá rodar bem nessa máquina, isso é a configuração MÍNIMA e, quem viu, disse que o jogo virá "pelado" de novidades quando rodado no Windows XP com DX9. Mudar a VGA depois para usar o DX10?! Só o Windows Vista vai ter API hábil com o novo DirectX! Isso que faz com que você seja OBRIGADO a trocar de sistema operacional se quiser REALMENTE usufluir do sistema.

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A configuração mínima consome algo entre 210~250w presumidamente. É aqui que começa realmente essa matéria, com uma fonte de 250w REAIS você estaria hábil a rodar ele PELADO de **efeitos**. E acredite, a única coisa de FUNDAMENTO nisso são os efeitos. Mas, para a imersão no jogo e todos os seus efeitos, você terá de possuir uma BOA máquina, muito acima de tudo que está por aí nas lojas.

Para extrair o máximo, desista… você precisará de uma usina nuclear pro seu novo PC, com um CPU dual ou quad-core, 2GB de RAM e um G80 ou R600 (ou duas das mesmas para SLi/X-fire…). Além, esse tipo de PC é bem avantajado em termos de CUSTO e MANUTENÇÃO, já que gastam mais e suas peças são bem mais caras. Vejamos:

CPU: Core 2 Extreme QX6700;
VGA: 2x R600;
RAM: 2x 1GB DDR2;
HDD: 6GB; (espaço necessário para o jogo)
Internet: 256k+; (com um desses, é dado como certo que é mais!)
Optical Drive: DVD;
Software: DX10 com Windows Vista.
MONITOR que suporte alta resolução… quando digo ALTA, falo de PELO MENOS 1600×1200!

Consumo dessa máquina, segundo pode ser conseguido no extreme.outervision é estimado em 787w… com sorte, ela lhe dará TODO o gráfico do jogo. Se, eventualmente, os 2560×1536 não lhe renderem tanto desempenho em Frames Por Segundo (FPS), basta baixar um pouco a resolução. E para o Crysis 2, é bom ir segurando uma grana, por que esse PC não vai segurar mais as pontas. Achou o consumo elétrico alto, bom, considere que se sua MoBo não for das melhores e os capacitores depois de 2 anos estão no seu limite de exaustão por causa do Overclock, o seu consumo subiria para isso:

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Não é montagem, também me surpreendi, mas creio que dado o desgaste e uma eventual fonte mais fraca com o tempo, o seu consumo facilmente dobraria! Isso, considerando a potência da fonte, é fatal.

Mas isso até que não importa, o certo é que você gastaria em consumo num computador "Crysis READY" cerca de 600w… note que Diablo lhe daria a mesma diversão num Pentium 2 que consome 114w. Você poderia jogar 5hs de Diablo com a energia que gasta para uma hora de Crysis. E para quê? EFEITOS!

"Ahh não, jogos mais simples não tem graça!" ::

Deve ser mais engraçado gastar dinheiro aos montes para jogar descentemente… milhares de Semprons, Celerons, seus irmãos Athlons e Pentiums 4 simplesmente RISCADOS do mapa, mesmo que ainda estejam a venda em qualquer canto do mundo… e fui atrás do que temos nos jogos "de agora", visto que me encontrei descongelando ao sol em uma era desconhecida e não estou convencido da sede de HD atual.

Reforço o exemplo do Diablo, pois era jogável na época, rodava perfeitamente e sequer tinha "opções de filtro" para se adequar ao seu PC. Eles poderiam ter feito ele unicamente para NT devido a um DirectDraw ou coisa do tipo, tal qual o Crysis o faz ao rodar "completo" exclusivamente em uma máquina com Windows VISTA. mal lançado, e lhe forçando a ter um dual core e uma VGA parruda se quiser jogar… lê-se por sites do gênero que o jogo só fica realista quando rodado com DX10, que beleza né? Abandone seu A64 4000+, por que ele não é tão bom… vamos observar a linha crescente de qualidade visual e necessidade de hardware poderá ser avaliada pela época, considerando ambiente 3D:

3D Clássico, mais comum até 1998:
• 2D imitando 3D via sprites com alpha para efeitos e angulação losangular,
• 2D plataforma com recursos de cross-screen simétricos,
• Jogos de adventures com misto de estratégia e ação
• Jogos FPS (tiro em primeira pessoa) com salas amplas e centenas de inimigos
• Quebra-cabeças nos jogos…
Chave pro sucesso: PENSAR e agir rapidamente!

dkcdiablo2

3D texturizado simples, mais usado até 2004:
• 3D com texturas para obter ilusão de formas complexas
• Definição maior para o personagem, atenção aos detalhes das texturas do cenário
• Cenários grandes e complexos, com direito a uma aventura pelo jogo.
• Várias seqüências que visam reaproveitar o cenário ao extremo.
• Velocidade, movimentos rápidos, forçando o controle do usuário.
Chave pro sucesso: MEMORIZAR e tomar decisões rápidas!

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Atual:
• 3D intensivo, esqueça o 2D, até os mapas são 3D!
• Requer GRANDES resoluções para ser atraente e funcional. 800×600 nunca mais!
• Multi-Labirintos pequenos, em geral no estilo armadilha, você passa um ponto e é "atacado".
• Videos… muitos videos CGI, você irá assistir o jogo em vez de jogá-lo, apenas conectando entre eles.
• Efeitos visuais, que vão encher a sua tela e cobrir seus adversários, se tornando seu inimigo.
• Efeitos de iluminação, idem ao anterior, na vantagem de dar mais realismo esconde seu adversário.
• Efeitos de opacidade e transparência com desfoques, torpem a sua tela e a sua visão.
• Texturas HD, mesmo que desfocadas, elas estão lá e vão comer cada ciclo da sua máquina.
Chave para o sucesso: ser MAIS BONITO que o anterior! Geralmente a fórmula é "mais do mesmo".

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Para provar que não estou falando heresia alguma e de como todos os jogos instantâneamente parecem enlatados de efeitos especiais, destaco a lista de "novidades" da CryEngine2, com o que ela tem para oferecer de NOVO que as anteriores não oferecem:
Volumetric clouds (uauu…. NUVENS realistas)
Real-time ambient maps (hmm… mapas atualizados em tempo real)
Depth of field (hmm…. profundidade de campo, desfoque em distância e névoa!)
Motion blur (borrões… muitos borrões)
Dynamic Soft shadows (sombras realistas)
Subsurface scattering (deve gerar sprites bem interessantes)
Parallax mapping (noção de dois olhos na visão)
HDR lighting (Iluminação em alta resolução e preenchimento)
Fully interactive and destructible environments (dá pra quebrar todo o cenário)
Advanced Particle system (sistema avançado de partículas… a neve deve ser perfeita)
Full day-night cycle, with sunrise, and sunset effects (entardecer e amanhecer completos)
fonte: wikipedia

(D)efeitos especiais ::

Olha quanta utilidade em ter ciclos de dia "reais", com direito a um entardecer e amanhecer a frente de uma praia paradisíaca CGI, com nuvens hiper-realistas e simuladas, não homogêneas, enquanto se observa o desfoque e efeito de esfumaceamento devido a distância de "2kms"… na real, isso é lindo de ver em um FILME CGI, como Final Fantasy, mas tanta riqueza de detalhes custando a necessidade de um PC completo novo TOP de linha, que está acima de 95% das máquinas normais da Terra é bobo.

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Meramente mais aperfeiçoado visualmente, mas na síntese daria para ser Counter Strike, só que em vez de terroristas são "aliens" e agora dá pra ver os "tiros laser" e tudo é redondinho e não funciona naquele seu Atlhon XP 1400+ com uma FX5200 64/64… fator diversão?! Nada… é tão produtivo quanto os demais, mas precisa de um SENHOR equipamento para funcionar descentemente.

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Bonito é ver o NFSU2, que superou em muito os demais Need For Speed atuais, se tornando um MITO, tal qual foi o Hot Porsuit ao seu tempo… tão bom, que pode jogar ele no seu PlayStation 2 tal qual no seu PC! Oras, o FRACASSO do Most Wanted, também chamado de Most Frustrated, foi tanto, que para não admitir isso a EA nem deu seqüência e voltou o Carbon para a noite, mas agora precisa de um PC com o DOBRO de potência praticamente para rodar o mesmo, isso unicamente por que os carros são mais desenhados e tem muitos efeitos (tantos, que alguns vem em OFF mesmo assinalado High Quality). Sinceramente, eu ainda jogo o Underground 2, mas após concluir o Carbon simplesmente deletei-o do sistema, sendo que o Most Wanted sequer conclui, tão CHATO era jogar ele…

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Corsa no NFSU2 que roda em PC de 933MHz… …Skyline no NFSC que precisa de 1.7GHz

Olhe atentamente as imagens acima e pondere, era MESMO necessário aumentar 82% o CPU para rodar o jogo?! Isso por um punhado de efeitos?! Perdeu-se o fio da meada nos jogos, a maioria que jogou o NFSU2 o adorou, enquanto os sucessores figuram apenas como "continuações" nem tão bem sucedidas.

Fator DEFINIÇÃO e CPU mínima ::

Note que da miscelânia de cenários do Crysis lá no começo, quando ampliada, a maior parte da tela é BORRADA. Antes, eu pensava que definição poderia ser uma tradução para nitidez de uma imagem, mas a moda agora é ver tudo desfocado…

Até pela usabilidade geral, tenho certeza que com certos ajustes, qualquer máquina abaixo de 2GHz teria condições de rodar os jogos, é impressionante como os jogos saiam e eram jogados a 10 anos… a 5 anos.

O ponto não é o avanço gráfico geral, mas a incapacidade de se rodar descentemente em máquinas que ainda estão a venda mundialmente. No passado tinha-se várias vezes menos potência e havia soluções inteligentes para contornar as impossibilidades, as softwarehouses deveriam se conscientizar disso.

Ter um CPU segunda linha não era um impedimento, mas hoje não vai adiantar muito comprar um Sempron AM2 (fabricado single até o fim de 2007!), por que ele não terá saída suficiente pro jogo!

Conclusão ::

Lamentávelmente jogos casuais estão em extinção, as prateleiras estão lotadas de jogos imersivos. Alguns, como a Crytek investem suas fichas acreditando que o planeta todo terá dual core em poucos meses, com Windows Vista e 2GB de RAM, descaracterizando a capacidade de qualquer computador de servir ao propósito de jogar pela diversão em prol de jogar um filme CGI. Outros como a EA, sabendo que seu público joga de tempo em tempo, irregularmente, cria jogos abobalhadamente fáceis como o Carbon no intuito de agradar, entupindo de filmes e deixando o play-time reduzido a algumas poucas horas que se desenrolam sozinhas, como num filme… naturalmente, o último ainda poderá ser jogado se seu CPU tiver 2GHz, e isso é bem mais fácil do que um dual core de 2GHz (cada núcleo) e mais barato também.

mostekcs2

Ainda se ouve agora que os jogos antigos são fáceis, bom, tome por desafio virar diablo, o jogo tem 10 anos e você terá de se habituar a fazer escolhas em telas assim:

diablo3

Ou mesmo, lembre-se que há muita diversão no mundo 2D e 3D sem precisar de mega efeitos e uma G80 ou R600 para rodar, ambientes repleto de desafios a serem superados, uns infinitamente mais difíceis que os encontrados em estar apenas esperando para apertar o botão ao ver a luz na densa fumaça a sua frente, como nestas telas de jogos antigos já vistos e nestas abaixo:

aeroall

oacarma2

bmsdw

E isso é apenas uma ínfima fração de exemplo das HORAS de desafio e diversão que se pode ter sem recorrer a uma gastança para ver aliens texturizados… destaques acima para Super Demo World, uma versão de 2001~2003 alternativa feita com Lunar e o OpenArena que se usa da engine do Quake e é gratuito.

Por fim, na última linha dessa longa matéria, veja o passo dos jogos gratuitos de hoje, há MUITOS freeware "simples", em 3D, que merecem a tentativa. Bom jogo!

Publicado no Projeto OnBoard em 18 de Janeiro de 2006