Hitler não perdeu

Primeiro, vou deixar absolutamente claro que eu não sou nazista, nem neo-nazista, nem contra judeus, nem que lamento ou não o desfecho da segunda grande guerra, afinal, eu nem era nascido.

Então, qual meu fundamento em afirmar que Hitler não perdeu, se é uma derrota histórica? Bom, eu afirmo que conceitualmente ele não foi derrotado, e não falo nada de nazismo em si, mas de alguns de seus ideais mais populares que seguem vivos até hoje no cotidiano de muita gente, internacionalmente, sem que estes percebam sua ligação com o ditador do segundo confronto de proporções planetárias. Na tv por assinatura é grande a quantidade de documentários sobre a 2ª Guerra Mundial, isso porque se completa 65 anos do seu fim em abril de 2010.

Conceitualmente, Hitler não perdeu… durante os anos 30 a Alemanha vinha mal das pernas e muito se pensava de criar um carro popular… sim, ele mesmo, o Fusca. O Fusca, criado por Ferdinand Porsche, o mesmo dos possantes Porsches, só o é conhecido justamente pelos toques de Hitler em seu projeto, além do fato de que o ditador era apaixonado por carros. O Fusca mudou o mundo, e só o fez porque Hitler abraçou sua causa de carro do povo, adereço que ele segura com suas rodas até hoje, perpetuamente. Sem Hitler, o simpático fusquinha que conhecemos seria assim, como a foto abaixo:

porsche-type-321

Você acha que esse tipo, o primeiro modelo do Fusca, o Typ 32, conseguiria chegar aos anos 90 como bravamente fez o modelo que Hitler pediu modificações? Esse pode ser visto como um dos tataravôs dos Porsches. Tanto o é, que o motor do tipo boxer ainda era usado até os modelos recentes da Porsche em seus carros esportivos, o mesmo tipo de motor do Fusca. Os faróis grandes, o capô mais baixo, detalhes de Hitler no carrinho.

O Fusca, aliás, so se tornou popular em virtude das exigências dele. O carro deveria ter um preço acessível, transportar uma família alemã (pais e dois filhos), manter velocidade de 100 km/h… coisa que político nenhum, nem mesmo nos dias de hoje, com toda a demagogia do mundo consegue fazer. Ou podemos dizer, hoje, que a invenção do nosso governo de chamar um carro de 30.000 reais de popular, quando o salário mal passa dos 500 contos é tornar, de fato, popular? É chato, mas o cara fez, na base da força, claro, um feito que estamos longe mesmo tanto tempo depois com todo maquinário que existe e robôs conectados a computadores nas fábricas.

Conceitualmente, ainda, Hitler não perdeu em dizer que a raça ariana era superior… muito embora isso não passe de uma grande bobagem racial comparável tão somente a de orgulho racial, mas quantas famosas não querem ser loiras de olhos azuis? Até mesmo nosso presidente, Lula, em momento memorável para descrever uma crise citou que ela foi feita por “brancos de olhos azuis”. Oras, um esteriótipo de superioridade difundida por Hitler. Não por bobagem nos vendem essa idéia desde lá. Como exemplo desse conceito cito a Barbie, a boneca mais famosa do mundo… linda, loira, magra e de olhos azuis. A Barbie ganhou novas cores, mas nem 30 anos atrás, quem pensaria numa Barbie negra? O ícone ainda era a loiríssima… e ainda é, vide as propagandas de bonecas na tv.

O partido que originou o nazismo era contra o parlamento, pois acreditavam que lá era o berço da corrupção. Nossa Brasília que o diga, com nossos políticos de dinheiro na meia e na cueca… conceitualmente, na nossa realidade e certamente mundo afora, Hitler não estava errado em endorsar essa linha. Desde a Grécia antiga que a corrupção é filosofada, por sinal. Ou, ainda, nos mandamentos do Pai, “não roubarás”… a maioria pensa em roubo como um assalto, tão somente, mas a corrupção é um “assalto” muito pior e maior.

Aos alemães, dentro do nazismo, era previsto que o estado assumiria todos os trusts, tal como os comunistas, mas ao invés de absorver para o Estado como ocorre no regime soviético, no nazismo ele seria repassado para comunidades ou alugado para comerciantes menores. Claro, na teoria é uma coisa, na prática ocorre certamente favorecimentos e se torna outra, porém, é inegável que o estado se torna mais forte e, embora depene um rico, cria uma nova possibilidade para outras pessoas, ao contrário do comunismo que nada é de ninguém…

Eles tinham, também, em previsão de que todos os alemães deveriam ter meios de obter ensino superior e que as escolas deviam propor atividades mais práticas, sendo que os filhos de pais pobres teriam seus filhos suportados pelo Estado na sua estada no ensino superior. Estamos falando de algo em torno de 80 anos atrás, dos feios e maldosos nazistas em seu princípio, que colocaram a risca o que nós engatinhamos por aqui em pleno lulismo com a maior lentidão e sem sequer definir cotas RACIAIS. Tá, é natural que dentro do nazismo a cota seja para brancos. Mas e a parte de aulas práticas? Essa nossa reforma que incluiu um ano adicional sem gerir conteúdo torna a escola algo ainda mais distante de seu fundamento básico, de ensinar e preparar para a próxima etapa. E é um fato tristemente engraçado olhar e dizer que Hitler era um monstro racista e termos nossa entrada na universidade vista pelo mesmo sentido, a raça. Nós, décadas depois, “descobrimos” uma solução que Hitler achou lá atrás e o acusamos de algo que estamos sendo hoje. O que aprendemos com isso? As escolas públicas ignoram pessoas de mesma condição social baseados na cor de sua pele? De qualquer modo, vá lá, “cotas raciais” era algo que Hitler fez e nosso governo orgulhosamente vende como uma “justiça” sua contra a desigualdade racial… e, do mesmo modo que no nazismo, se você não está dentro da raça a ser favorecida…

Outro ponto previsto na lei deles, os nazistas, era que criminosos teriam pena de morte, independente de credo religioso e raça. Assassinos, nesse modelo, não seriam soltos por “bom comportamento” alguns anos depois como ocorre na nossa falida justiça. Corruptos também enquadrariam nesse modelo, como crimes de direito comum, e iriam abraçar a morte, longe de pedir afastamento do cargo para não ficar inelegível como ocorre no Brasil atual desde sempre. E, como brasileiro, vejo que pouco adianta criar novas leis para barrar alguns vermes que usam gola branca, se estes mesmos se encarregam de criar muitas brechas de modo a tornar a lei impraticável de ser vivida na vida real.

O governo de Hitler tomou a censura, domou a imprensa, conceitualmente ele deu brecha para coisas como o AI5 no Brasil, pois é bastante óbvio que 20 anos depois os nossos militares assumem uma postura similar. E o que é pior, mesmo destruída pela guerra, hoje a Alemanha é um país de nível dito europeu, rico, enquanto que o Brasil segue no mesmo “país do futuro”… Não sou a favor da censura, sou a favor do bom senso. Acho que qualquer coisa que queira se vender se usando de mulheres como decoração ambiente deveria pagar 5x mais imposto que o normal. O exemplo, não de Hitler, mas da França, de ter uma taxa diferenciada (e maior) para estabelecimentos com nome estrangeiro é algo que devia ser copiado, sim, antes que cabeleireiros tomem por hábito assinar como “coiffeer” ou “hair designer” ou outro termo abstrato para a idéia de que eles cortam cabelo. Antes que o “bus” e a “bike” venham ‘embalados’ assim e, pra comer na rua você só possa ir no “hot dog do João Chico”…

A Alemanha nazista, por fim, entendia que uma guerra custa caro… quando, em 24 de fevereiro de 1920, a base da lei foi colocada no papel, eles tinham em mente que o saque de guerra deveria ficar com o Estado, ato que estamos cansados de ver por parte dos norte-americanos com desculpas como “busca pelo terror”, “pela democracia e liberdade” e afins, até hoje, sempre seguidos de “reconstrução do país destruído”. Hitler estava errado? Bom, pode não ter sido ético da parte dele, e não o foi, mas ele errou?! Usam o modelo dele até hoje…

Então, salvo pelo holocausto e a política da raça ariana, o maior acerto de Hitler foi o de socializar (de Socialismo, mesmo) homens ao invés de propriedades, como era visto no Comunismo. Para os seguidores, esse é o maior tocante, o mesmo visto em muitas religiões, por sinal. Não é dominar a propriedade, mas o dono dela.

Pra finalizar, esse conceito de obter apoio das pessoas a seguir com o plano não pode ser enquadrado no “American Way of Life”, o popular estilo de vida norte-americano, que os Estados Unidos usam continuamente como desculpa para garantir que sua população apoie o governo mesmo diante de situações ruins para o planeta todo? Grosseiramente, o modo como Hitler fez para obter apoio dos alemães nos anos 30 é algo que os norte-americanos usam desde o século XVII… e, mais recentemente, por aqui, “eu sou brasileiro e não desisto nunca”.

Conceitualmente, ele perdeu?

Este tópico não é em apoio ao nazismo. O autor não é membro e nem partidário de grupos judeus ou (neo) nazistas. O texto é apenas uma referência sobre pontos defendidos pelo regime que, embora mascarados até hoje e pouco debatido pela mídia, seguem se perpetuando.