Crie seu monstro

RobsonB armado Não é novidade discutir o polêmico assunto da violência nos videogames. Porém, esse é um jogo que está mudando e a maioria dos adultos está alheia aos fatos. Minha coluna deste mês é um alerta para as mães (e pais, claro), para que tomem nota de seus filhos e façam uso de controle parental ou criem seus monstros.

Ferramentas existem, a mais evidente é o ESRB (Entertainment Software Rating Board), que traz um selo na capa e descrição (em inglês, normalmente) no verso da caixa com os motivos daquela classificação. Tomem nota aos jogos com o selo “M” e, se seus filhos tem menos de 10 anos, ao selo “T” também. Venho observando, inclusive em casa, que muitas pessoas ainda olham para o videogame como um brinquedo infantil caro. Mas esse brinquedo superou o cinema em faturamento e alguns jogos tem cifras para serem criados superiores a de muitos filmes. O terceiro God of War, citado neste espaço, custou para a Sony 200.000.000 de dólares, por exemplo. É um segmento que está em expansão e se tornou ultra-realista, o que reforça o fato de que se necessita ter controle parental.

O ESRB foi criado em 1993, ano de Doom e Mortal Kombat, pois era difícil avaliar o que as crianças jogavam naquele momento e estes jogos não deveriam cair em mãos pequenas. Mais adiante, em 1997, nasceu GTA, ponto alto de referência e quando o selo ganhou maior notoriedade.

Cito GTA porque foi o jogo mais vendido do PlayStation 2, que por sua vez foi o console mais vendido da história. Sozinho, GTA San Andreas tem números invejáveis de vendas e, somado a pirataria, se pode dizer que para cada PlayStation há um GTA destes do lado. A versão 4, no PlayStation 3, lançada em 2008, é atual e ainda mais realista.

Qual a graça nesse jogo? Um ambiente vasto, que funciona sozinho, regrado, mas que você pode sair aloprando como um doido e, com cheats* (códigos de trapaça), você se torna praticamente invencível, com um arsenal militar em mãos para chacinar gente pela cidade por pura diversão. Isso deixando de lado a história de se envolver com o submundo do crime, matar bandidos, matar policiais, contratar prostitutas, ter várias namoradas, atropelar pessoas, ficar bêbado de cair no chão… isso soa natural e saudável para crianças? Certamente não. Tanto que o jogo tem o selo “M”, destinados a maiores de 17 anos. Então por que tantas crianças de 8, 10 anos estão jogando isso até cansar? Falta de controle parental…

Se você não acha isso certo, mas seu filho é inteligente, tem uma mente aberta, entende que é só um jogo, libere ele para tomar cerveja no fim de semana e deixe-o alugar uns filmes pornôs na locadora, o controle parental é o mesmo. O conteúdo também é o mesmo, pois há até mesmo simulação de sexo com direito a voyerismo e minigame (com uso de um patch* que inclui este no San Andreas) para praticar e dezenas de referências ao consumo abusivo de álcool. Deixar sua criança beber ou alugar filmes eróticos hardcore não dá, então por que razão o jogo, virtualmente, dá?

Glossário:
*cheat =
códigos escondidos no jogo para obter vantagens ilícitas ao modo normal.
*patch= expansão que se adiciona ao jogo para corrigir falhas e adicionar novos recursos.